Dentro de homens
Neblinados pela fumaça
Que sobe, como sacrifício,
Do churrasco do ambulante.
É um banquete proletário,
Cujo protesto não se ouve
E se dilui nos olhos
Que olham para o nada,
Embotados pela ruidosa sinfonia
De carros de homens-máquina.
Súbito
O véu do alheamento,
Que parecia inconsútil,
Se desfaz na fumaça
Que neblinava os homens,
Agora homens-carne, homens-ser.
Em volta da mesa-caminhante,
Todos em pé se entreolham,
Acordados do sono-torpor.
Veem-se humanos, uns nos outros.
Tacitamente solidários,
Irmanados, comungando o presente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário