quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Comensais de rua


O dia desfalece
Dentro de homens
Neblinados pela fumaça
Que sobe, como sacrifício,
Do churrasco do ambulante.

É um banquete proletário,
Cujo protesto não se ouve
E se dilui nos olhos
Que olham para o nada,
Embotados pela ruidosa sinfonia
De carros de homens-máquina.

                 Súbito

O véu do alheamento,
Que parecia inconsútil,
Se desfaz na fumaça
Que neblinava os homens,
Agora homens-carne, homens-ser.

Em volta da mesa-caminhante,
Todos em pé se entreolham,
Acordados do sono-torpor.
Veem-se humanos, uns nos outros.
Tacitamente solidários,
Irmanados, comungando o presente.

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