sábado, 18 de janeiro de 2014

Ensimesmação




Mais poder tem o sábio do que o forte,
e o homem de conhecimento,
mais do que o robusto. 
Pv. 24:5-6

A linha se alinha
Se desalinha
Bem mansinha.

O caracol ao sol
Deixa o seu crisol,
Sua casa guarda-sol.

A aranha a tudo alheia
Tece a teia na areia
Onde a serpente serpenteia.

O homem sem Deus
Na sua vaidade creu
Ser ele mesmo um deus.

Profetas sem profecias



Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. 
Ec. 1:2

Muitos profetas das academias de um mundo senil
Apregoam teorias verborrágicas como encantadores
                    De serpente.

São eles os mentores deste século enclausurado
Em receituários com incrustações de vaidades feitas
                    De arsênio.

Em desespero, há quem pergunte aos tais profetas:
O que será do homem? Qual a saída?
                    A morte, concluem.

É a velha resposta para os desesperados:
"Bebam, comam e morram." Isso é tudo.
                    Noite do nada.

Ídolo de si mesmo



Também está cheia a sua terra de ídolos; adoram a obra das suas mãos, aquilo que os seus dedos fizeram. 
Is. 2:8

O mundo é um desvio que Deus não quis.
É um andar errante que tem como guia
                A cegueira do homem.

É terra estranha de solo movediço
Onde tudo parece sem raiz, sem alma,
                Incorpóreo.

Homens, coisas, desejos, protestos, guerras.
Tudo adoece na loucura humana,
                Do homem sem Deus.

As praças públicas estão cheias de homens coisificados
Pelas suas crenças, pelos seus delírios que alimentam o nada.
                O tempo presente é matéria do caos.

Nas escolas e universidades é apregoado o último gemido da Terra.
"A água está no fim; os rios e mares, podres; o ar, insuportável."
                Homem, algoz de si mesmo.

(Re)novo

(Re)novo

e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.
 Cl. 2:15

A palavra saiu pelo mundo
A despalavrar a mentira apalavrada.
O Verbo se fez carne humana,
A mais humana de toda a carne.
E mais humana porque teve compaixão.
E mais humana porque ao homem se igualou
Ao se esvaziar de toda a sua Glória.
Seu triunfo escandalizou os homens de pouca fé.
Foi motivo de escárnio para os poderosos: morte de cruz.
De seu corpo de dores jorrou sangue-luz ao mundo,
E principados e potestades se desfizeram em pó.
Jesus, o Unigênito de Deus; dos homens, o desprezado.
Em seu último suspiro a todos libertou.
Na cruz ficaram pregadas nossa vergonha e a morte.
E com elas aniquilada a falta de esperança no porvir,
Preparado pela Trindade Santa.

Depuração




Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Ap. 3:15


O Exército de Deus cavalga ao meio-dia.
No asfalto do mundo, uma sinfonia de pedra
Sem cor, sem cheiro, sem luz, sem frescor.
A humanidade sem raiz rege sua idolatria.

O deus-ter despersonaliza o homem feito ser.
Transforma-o, transtorna-o, corporifica-o em coisa,
Em corpo-mercadoria, invólucro da loucura.
E nos abismos do mundo, esse deus-baal conjectura.

Por toda parte a imagem do irreal, do ídolo,
Que construído da substância do delírio,
Infecta até o verme que rasteja nas entranhas do homem.

O Exército de Deus cavalga ao meio-dia.
Com trombetas de fogo, os soldados desnudam a mentira,
Filha da perdição e da mesma substância de baal jaz vencida.